Regulamentação

Listas B1, C1 e F2: como os canabinoides estão classificados em 2026

 · 5 min de leitura

Histórico de reclassificações de CBD e THC, critérios de enquadramento e reflexos em dispensação e estoque pós-RDC 1011/2026.

A classificação dos canabinoides nas listas da Portaria SVS/MS 344/1998 é a âncora que determina tipo de receita, regime de escrituração, armazenamento e logística de cannabis no Brasil. Em 2026, após as RDCs 1011 a 1015, essa classificação permanece vigente, mas recebeu ajustes operacionais importantes. Este artigo explica as listas B1, C1 e F2, a trajetória histórica e os reflexos práticos para a cadeia.

Estrutura geral das listas

A Portaria 344/1998 agrupa substâncias controladas em listas nomeadas por letras. As mais relevantes para cannabis são:

Canabinoides principais:

Histórico de reclassificação

Pré-2013 — Cannabis integralmente vinculada à Lista E e F2. Acesso via medida excepcional.

2015 — Primeira reclassificação do CBD: passa a integrar a Lista C1, mediante RDC 3/2015, permitindo importação por pessoa física com autorização.

2017 — RDC 66/2017 atualiza lista C1 para incluir CBD isolado até 30 mg/mL.

2019 — RDC 327/2019 cria a categoria de produto de cannabis, mantendo a classificação base.

2024 — Resolução ajusta definições e dispositivos operacionais.

2026 — RDC 1011/2026 confirma a estrutura C1 / F2 / B1, eleva o limite de THC na C1 de 0,2% para 0,3%, reforça a escrituração digital e integra ao SNCM.

Esse histórico é relevante porque recursos administrativos, decisões judiciais e políticas públicas frequentemente se apoiam na evolução das classificações.

Lista C1 — o grupo “acessível” de cannabis

Enquadram-se na Lista C1 os produtos à base de cannabis com teor de THC ≤ 0,3% (p/p) por unidade posológica, após a atualização de 2026. Implicações práticas:

Lista F2 — THC e derivados de alto teor

A Lista F2 agrupa psicotrópicos que, no contexto de cannabis, abrangem:

Implicações:

Lista B1 — canabinoides sintéticos e análogos

A Lista B1 agrupa psicotrópicos de controle especial. No contexto de cannabis, incluem-se:

Implicações:

A RDC 1011 introduziu subdivisões dinâmicas para canabinoides sintéticos, permitindo inclusão/exclusão mais ágil conforme novas moléculas emergem.

Impactos na dispensação

No balcão da farmácia, a classificação determina:

Farmácias magistrais acrescentam controle do IFA — ver farmácias magistrais de cannabis.

Impactos no estoque e logística

Para fabricantes, importadores e distribuidores, as listas definem:

Limites de isenção

A Portaria 344 prevê isenções específicas (por exemplo, quantidades diminutas para análise laboratorial) que ganharam tratamento mais restrito em 2026. A RDC 1011 elevou o rigor da escrituração e reduziu ambiguidades, especialmente para laboratórios de análise.

Para laboratórios, ver análise laboratorial de cânhamo.

Perguntas frequentes

O CBD sempre foi da Lista C1?

Não. Historicamente integrava a Lista E. Em 2015 passou para a C1 mediante RDC 3/2015, mantendo-se desde então.

O que muda com THC ≤ 0,3%?

Abriu a possibilidade de formulações full spectrum com THC residual mais alto integrarem a Lista C1 (receita amarela), ampliando opções terapêuticas.

Canabinoide sintético é equivalente ao natural?

Do ponto de vista farmacológico, há diferenças. Do ponto de vista regulatório, pertence à Lista B1 e tem regime de controle próprio.

Cannabis sativa (planta) pode ser cultivada?

Somente com autorização específica (ANVISA para uso medicinal, MAPA para cânhamo industrial, dentro de limite de THC). Fora desses contextos, o cultivo é proscrito.

Como saber a lista de um produto?

Consulte a bula, a autorização sanitária e o registro ANVISA. Em dúvida, a receita correta é definida pelo fabricante conforme teor declarado.

Hemp AI informa classificação?

Sim. Consultas do tipo “qual lista um óleo full spectrum 5% CBD 0,25% THC pertence?” retornam a classificação e as obrigações aplicáveis, integradas ao Canhamo Industrial CRM.

Há previsão de reclassificação em 2026–2027?

Há debates sobre recolocação do CBD em lista ainda mais permissiva, inspirada na reclassificação internacional (OMS/UNODC). A RDC 1011 abre caminho para atualizações dinâmicas por resolução.


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