Regulamentação

Rastreabilidade de produtos de cannabis medicinal no Brasil

 · 7 min de leitura

Como funciona a rastreabilidade de cannabis medicinal no Brasil: SNCM, serialização, QR code e obrigações regulatórias da ANVISA.

A rastreabilidade de produtos de cannabis medicinal no Brasil é um componente essencial do arcabouço regulatório que visa garantir a autenticidade, a qualidade e a segurança de derivados canábicos ao longo de toda a cadeia — do fabricante ao paciente. A RDC 1014/2026, parte do pacote regulatório que inclui a RDC 1015/2026, estabeleceu a obrigatoriedade de serialização e integração ao Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM) para todos os produtos de cannabis medicinal comercializados no Brasil.

O que é o SNCM

O Sistema Nacional de Controle de Medicamentos foi criado pela Lei 11.903/2009 e regulamentado pelo Decreto 9.763/2019. Seu objetivo é rastrear medicamentos desde a fabricação (ou importação) até a dispensação ao consumidor final, utilizando tecnologia de identificação única por unidade comercial.

Para produtos de cannabis, a integração ao SNCM é particularmente relevante dado que derivados de Cannabis sativa contêm substâncias controladas classificadas na Portaria 344/1998 e estão sujeitos a desvio, falsificação e comércio ilícito.

Componentes do SNCM

Obrigações por elo da cadeia

Fabricantes

Fabricantes de produtos de cannabis devem:

Importadores e distribuidores

Farmácias e hospitais

Tecnologia e infraestrutura

Hardware

Software

A implementação de um sistema completo de rastreabilidade exige investimento significativo em infraestrutura, que deve ser planejado no escopo do compliance regulatório da empresa.

Benefícios da rastreabilidade

Para a saúde pública

Para empresas

Para pacientes

Cronograma de implantação

A ANVISA estabeleceu cronograma progressivo para integração ao SNCM:

FasePrazoEscopo
Fase 1Publicação + 12 mesesFabricantes devem serializar 100% das unidades e enviar eventos de produção
Fase 2Publicação + 18 mesesDistribuidores devem registrar eventos de recebimento e expedição
Fase 3Publicação + 24 mesesFarmácias devem registrar eventos de dispensação e validar IUM

Empresas que já operam com serialização para outros medicamentos (conforme regulamentação geral do SNCM) têm vantagem na implantação para produtos de cannabis.

Integração com escrituração de substâncias controladas

A rastreabilidade via SNCM complementa — mas não substitui — a escrituração de substâncias controladas exigida pela Portaria 344/1998. Enquanto o SNCM rastreia a unidade comercial (embalagem), o SNGPC (Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados) controla a movimentação da substância ativa.

Para produtos de cannabis contendo THC (lista F2), ambos os sistemas devem operar simultaneamente:

Inconsistências entre os sistemas podem desencadear fiscalização da ANVISA e autuação por falha na escrituração.

Desafios de implementação

Para a visão completa do arcabouço regulatório, consulte o guia definitivo de regulamentação ANVISA e os requisitos de boas práticas de fabricação. Veja também a regulamentação de cânhamo industrial, que compartilha princípios de rastreabilidade.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é o SNCM e por que é obrigatório para cannabis medicinal?

O Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM) é o sistema de rastreabilidade de medicamentos do Brasil, criado pela Lei 11.903/2009. Para cannabis medicinal, a integração é obrigatória conforme RDC 1014/2026, pois derivados de Cannabis sativa contêm substâncias controladas sujeitas a risco de falsificação e desvio.

Todas as farmácias precisam implementar o SNCM para cannabis?

Sim. Farmácias que dispensam produtos de cannabis medicinal devem registrar eventos de recebimento e dispensação no SNCM, validar a autenticidade do IUM e bloquear unidades irregulares. O prazo para implementação é de 24 meses após a publicação da RDC 1014/2026.

Quanto custa implementar a rastreabilidade para cannabis medicinal?

O custo varia conforme o porte da empresa e a infraestrutura existente. Para fabricantes, o investimento inclui impressoras de serialização, software de gestão e integração com SNCM. Para farmácias, o custo principal é o leitor óptico e o software de validação. Empresas que já operam com SNCM para outros medicamentos podem reaproveitar a infraestrutura.

Produtos importados também precisam de serialização?

Sim. Produtos de cannabis importados devem ser serializados conforme padrão GS1, com IUM legível no Brasil. O fabricante estrangeiro ou o importador brasileiro é responsável pela serialização, que deve ocorrer antes da entrada do produto no mercado nacional.


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