Como notificar evento adverso de cannabis na ANVISA: passo a passo para médicos
Guia prático para médicos notificarem eventos adversos de cannabis na ANVISA via VigiMed e NOTIVISA: campos obrigatórios, causalidade e seguimento.
Notificar eventos adversos é obrigação ética e, em muitos casos, regulatória. Em cannabis medicinal, a farmacovigilância ativa é parte da construção de evidência e segurança. Este guia mostra, passo a passo, como médicos notificam eventos adversos à ANVISA em 2026.
Por que notificar
- Segurança do paciente em curso e de outros pacientes.
- Construção de base de evidência brasileira.
- Detecção de sinais (novos efeitos, interações).
- Regulação baseada em dados.
- Dever ético e profissional.
- Em alguns casos, obrigação contratual (ensaios clínicos).
Ver farmacovigilância cannabis paciente.
Sistemas disponíveis
VigiMed
- Sistema prioritário para medicamentos.
- Substituiu o NOTIVISA para medicamentos em 2018.
- Plataforma web: notificação direta.
- Receptivo a médicos, farmacêuticos, enfermeiros, pacientes.
NOTIVISA
- Ainda utilizado para produtos, cosméticos, alimentos.
- Cannabis medicinal como medicamento → VigiMed.
- Produto cosmético com CBD → NOTIVISA (GGCOS).
Quando notificar
Eventos graves (obrigatório notificar em até 7 dias)
- Risco de vida.
- Hospitalização ou prolongamento de internação.
- Incapacidade persistente.
- Anomalia congênita.
- Óbito.
- Evento clinicamente significativo.
Eventos não graves (recomendável notificar)
- Efeitos adversos conhecidos em intensidade incomum.
- Novos padrões.
- Interações medicamentosas observadas.
- Falhas terapêuticas inesperadas.
Eventos em populações especiais
- Pediátricos.
- Gestantes.
- Idosos.
- Pacientes com comorbidades raras.
Como acessar o VigiMed
- Acesse vigimed.anvisa.gov.br.
- Cadastro único com CPF e senha.
- Login.
- Menu “Notificações” → “Nova notificação”.
Campos essenciais da notificação
Identificação do paciente (anonimizada)
- Iniciais.
- Idade.
- Sexo.
- Peso.
- Comorbidades relevantes (sem dados pessoais identificáveis).
Evento adverso
- Descrição em termos médicos (MedDRA).
- Início (data).
- Duração.
- Intensidade (leve/moderada/grave).
- Gravidade (grave ou não-grave por critérios regulatórios).
- Desfecho (recuperação, sequela, óbito, em tratamento).
Produto suspeito
- Nome comercial.
- Princípio ativo.
- Concentração.
- Lote (se disponível).
- Fabricante/importador.
- Data de início do uso.
- Dose.
- Via.
- Indicação.
Outros medicamentos em uso
- Lista de concomitantes.
- Identificação do que é suspeito.
Dados médicos
- Exames relevantes.
- Anamnese.
- Conduta tomada.
- Evolução.
Identificação do notificador
- Profissional, paciente, cuidador.
- CRM / CRF / outro registro.
- Instituição.
Causalidade
Avaliação preliminar (pode ser refinada depois):
- Definido: associação temporal clara, melhora com retirada, resposta conhecida.
- Provável: associação temporal, conhecida na literatura.
- Possível: associação temporal, mas outras causas não excluídas.
- Improvável: pouco provável ligação.
- Não avaliável.
VigiMed permite classificação padronizada.
MedDRA (Medical Dictionary for Regulatory Activities)
- Vocabulário padronizado internacional.
- Use termos MedDRA para consistência (VigiMed oferece busca).
- Exemplos: “sonolência”, “hepatite medicamentosa”, “ataxia”.
Exemplos práticos de notificação em cannabis
Exemplo 1 — Elevação hepática em uso de CBD
- Paciente F, 45a, com epilepsia.
- CBD 25 mg/kg/dia há 6 semanas.
- ALT/AST 3–5x limite superior.
- Sem sintomas clínicos.
- Conduta: redução de dose, monitoramento.
- Desfecho: normalização em 4 semanas.
- Causalidade: provável.
Exemplo 2 — Sedação grave em idoso
- Paciente M, 78a, com dor crônica.
- Full spectrum CBD:THC 20:1, dose noturna.
- Sonolência profunda na manhã seguinte + queda com fratura.
- Conduta: suspensão, hospitalização.
- Desfecho: alta em 5 dias, reabilitação.
- Causalidade: provável.
Exemplo 3 — Pânico em adolescente
- Paciente F, 16a, com ansiedade.
- Full spectrum com THC 5% em dose maior que a habitual (erro de administração).
- Crise de pânico com taquicardia e desorientação.
- Atendimento em pronto-socorro.
- Desfecho: resolução em 6 horas.
- Causalidade: definido.
Seguimento pós-notificação
- ANVISA pode solicitar informações adicionais.
- Manter contato.
- Atualizar notificação conforme evolução.
- Em eventos graves ou aglomerados, contato com GGMED.
Anonimização e LGPD
- Dados pessoais identificáveis não devem constar na notificação.
- VigiMed processa dados de forma anonimizada.
- Médico mantém prontuário completo internamente.
Ver LGPD dados pacientes cannabis.
Notificação por paciente
Pacientes podem notificar diretamente:
- Forma simplificada.
- Médico deve orientar.
- Contribui para vigilância.
Notificação em ensaios clínicos
- Eventos adversos sérios (SAE) notificados em 24h.
- Reporting ao patrocinador + ANVISA + CEP/CONEP.
- Formulários específicos.
Ver RDC 1012 ensaios clínicos.
Integração com prontuário
- Evento adverso deve constar em prontuário detalhadamente.
- Registro da notificação (data, número, link).
- Conduta tomada.
- Comunicação com paciente.
Ver prontuário cannabis auditável.
Boa prática da instituição
Clínicas e hospitais bem estruturados:
- Tem comitê de farmacovigilância.
- Monitoram notificações.
- Revisam padrões.
- Educam equipe.
O Canhamo Industrial CRM com Hemp AI apoia clínicas em registro e gestão de notificações.
Erros comuns
- Não notificar por “não ser grave”.
- Atraso na notificação.
- Notificar sem dados suficientes.
- Usar linguagem leiga em vez de MedDRA.
- Incluir dados identificáveis indevidos.
Cultura de notificação
- Médico não deve temer notificação.
- Não é “crítica ao produto”; é ciência.
- Reduz risco legal.
- Fortalece credibilidade profissional.
Indicadores de qualidade
Programas internos podem monitorar:
- Taxa de notificação (notificações / pacientes em tratamento).
- Tempo de notificação.
- Completude dos dados.
- Seguimento pós-notificação.
Feedback ao paciente
- Informar que houve notificação.
- Explicar que é procedimento padrão.
- Comunicar conduta.
- Consentimento implícito geralmente suficiente (dados anonimizados).
Contextualização regulatória
- RDC 4/2009 e Lei 13.411/2016 estabelecem sistema de farmacovigilância.
- Resolução específica para medicamentos regulados ANVISA.
- Cannabis em RDC 327/2019 e pacote 1011–1015/2026.
Ver RDC 1012 ensaios clínicos.
Perguntas frequentes
Todo efeito adverso deve ser notificado?
Graves: sim, obrigatório. Não graves: recomendável para sinais, padrões, novidades.
Paciente notifica ou médico?
Ambos podem. Médico é mais técnico; paciente complementa.
Anonimização é automática?
Use iniciais e dados mínimos identificáveis. Sistema processa anonimizado.
Tempo limite?
Graves: 7 dias. Em ensaios: 24h para SAE.
Preciso ter certeza da causalidade?
Não; notifique com a causalidade que puder avaliar.
Há sanção por não notificar?
Em alguns contextos regulatórios e éticos, sim. Eventos graves não notificados podem gerar responsabilização.
Hemp AI apoia notificação?
Sim, o Canhamo Industrial CRM com Hemp AI apoia registro estruturado de eventos e facilita notificação via templates.
Farmacovigilância ativa fortalece o paciente, o prescritor e o setor. Notificar é ciência aplicada. O Canhamo Industrial CRM com Hemp AI estrutura o fluxo; a Rede Médica conecta profissionais qualificados; o Acesso Paciente apoia pacientes na reportagem de eventos.
Canhamo Industrial CRM e Hemp AI
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