Para médicos, farmacêuticos e operadores da cadeia de cannabis, entender o que a RDC 1011/2026 alterou em relação à Portaria SVS/MS 344/1998 é decisivo no dia a dia. Este artigo apresenta uma tabela comparativa anexo por anexo, com foco nas listas de substâncias, tipos de receituário, escrituração e reclassificação de CBD e THC. O objetivo é servir como referência prática de consulta rápida.

Visão geral

A Portaria 344/1998 continua vigente como arcabouço de classificação de substâncias sujeitas a controle especial. A RDC 1011/2026 não a revoga, mas atualiza dispositivos específicos para empresas que operam com cannabis, além de espelhar algumas atualizações operacionais da própria Portaria 344 promovidas por resoluções específicas. Para ver o contexto das demais normas do pacote 2026, consulte o guia da regulamentação ANVISA.

Lista F2 — THC

TemaPortaria 344 (original)Após RDC 1011/2026
Classificação do THCLista F2 (psicotrópico proscrito)Lista F2 mantida, com ressalvas para uso medicinal autorizado
ReceitaNotificação de receita tipo B (azul)Mantida notificação B para THC > 0,3%
EscrituraçãoLivro de registro em duas viasAceita escrituração digital com trilha de auditoria, mantendo livro para contingência
ArmazenamentoCofre com chave exclusivaCofre + videomonitoramento obrigatório ≥ 90 dias
TransporteLacre individual por loteLacre + QR code SNCM e autenticação na expedição

Lista C1 — CBD e derivados com baixo teor de THC

TemaPortaria 344 (original)Após RDC 1011/2026
Classificação do CBDInicialmente Lista E; posteriormente reclassificado para C1Mantida Lista C1, com atualização de definição
Limite de THC na categoria C1Historicamente 0,2% (p/p)Elevado para 0,3% (p/p)
ReceitaReceita de Controle Especial em duas vias (amarela)Mantida receita C1 amarela; validade padrão de 30 dias
VendaFarmácia autorizada, com retenção de 2ª viaMantida, com dispensação registrada no SNCM
EscrituraçãoBalanço mensal de substâncias em formulário ABalanço digital integrado ao SNGPC e SNCM

Lista B1 — canabinoides sintéticos

TemaPortaria 344 (original)Após RDC 1011/2026
Classificação de canabinoides sintéticosLista B1 (psicotrópico de controle especial)Lista B1 mantida; nova subdivisão para agonistas CB1 e análogos de THC
ReceitaNotificação B (azul), duas viasMantida
Análogos de CBDClassificação variável, caso a casoCritério normativo mais claro; lista dinâmica atualizada por resolução

Lista E — plantas proscritas

TemaPortaria 344 (original)Após RDC 1011/2026
Cannabis sativa L. (planta)Lista EMantida, com exceções expressas para cultivo autorizado para fins medicinais, científicos ou de cânhamo industrial
Sementes de cânhamo sem poder germinativoTolerância limitadaReconhecidas como insumo alimentar/cosmético quando tratadas, conforme dispositivos específicos

Tipos de receituário aplicáveis a cannabis

Para consolidar a decisão do prescritor em um único quadro:

ProdutoRegimeReceitaValidadeObservação
CBD com THC ≤ 0,3%Lista C1Receita Controle Especial (amarela, 2 vias)30 diasDispensação em farmácia autorizada
CBD com THC > 0,3%Lista F2Notificação B (azul, 2 vias)30 diasPacientes terminais ou sem alternativa
THC isolado ou extrato de alto teorLista F2Notificação B30 diasJustificativa clínica obrigatória
Canabinoide sintéticoLista B1Notificação B30 diasApenas quando indicado em bula
Medicamento registrado (Mevatyl®)Conforme bulaConforme bulaConforme bulaSegue registro ANVISA

Ver também o guia receita cannabis medicinal — tipo e validade.

Escrituração e SNGPC

Antes da RDC 1011, farmácias lançavam dispensações no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). A partir da RDC 1011, foram introduzidas atualizações:

  • Integração do SNGPC com o SNCM em tempo quase real para produtos de cannabis.
  • Necessidade de registrar QR code unitário do produto dispensado.
  • Geração de alertas automáticos quando a dispensação cruzar com lote em recall.
  • Escrituração digital admitida para o livro de registro, desde que validada conforme GAMP 5.

Reflexos práticos para o prescritor

No consultório, o que muda efetivamente é pouco — mas relevante:

  • Atualizar os talões do receituário para refletir o novo limite de 0,3% (se pertinente).
  • Registrar canabinoide(s) prescrito(s) com concentração por unidade posológica.
  • Informar o paciente sobre QR code SNCM e possibilidade de recall.
  • Manter prontuário com as justificativas clínicas, especialmente em Notificação B — ver prontuário mínimo e quem pode prescrever cannabis.

Reflexos para a farmácia

Para a farmácia dispensadora e magistral:

  • Todo lote recebido deve ser validado no SNCM na entrada.
  • Dispensação registrada com QR unitário.
  • Livro de registro e/ou sistema digital validado, conforme regime adotado.
  • Videomonitoramento de áreas controladas e logs de acesso físicos e lógicos.

Perguntas frequentes

A RDC 1011 revogou a Portaria 344?

Não. A Portaria 344 segue vigente como arcabouço de classificação de substâncias controladas. A RDC 1011 complementa e atualiza dispositivos operacionais para o segmento de cannabis.

Posso prescrever usando a tabela antiga de THC ≤ 0,2%?

Até o fim da janela de transição, sim. Após a vigência integral da RDC 1015/2026, o novo limite de 0,3% é o padrão para a categoria C1.

Receita C1 vence em 30 ou 60 dias?

A regra geral é 30 dias. Algumas farmácias podem aceitar até 60 dias em casos específicos conforme protocolo interno, mas o prescritor deve orientar-se pela validade formal de 30 dias.

Escrituração digital substitui o livro físico?

Sim, mediante sistema validado. Recomenda-se manter back-up físico para contingência durante os primeiros 12 meses.

Canabinoide sintético é o mesmo que CBD natural?

Não. Canabinoides sintéticos figuram em lista B1 com regime de controle mais estrito. O CBD derivado de cannabis natural pertence à lista C1 quando associado a THC ≤ 0,3%.

Como a farmácia sabe se um lote está em recall?

Pelo SNCM. Ao ler o QR code na dispensação, o sistema retorna o status do lote e bloqueia a dispensação se houver recall ativo.

Hemp AI esclarece a diferença entre as normas?

Sim. Consultas em linguagem natural identificam o dispositivo aplicável à sua dúvida, fazem comparações entre normas e apoiam decisão clínica e regulatória, integrados ao Canhamo Industrial CRM.


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